sábado, 27 de outubro de 2007

CRUZ E SOUZA

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Vida Obscura




Ninguém sentiu o teu espasmo obscuro,

Ó ser humilde entre os humildes seres.

Embriagado, tonto dos prazeres,

O mundo para ti foi negro e duro.



Atravessaste no silêncio escuro

A vida presa a trágicos deveres

E chegaste ao saber de altos saberes

Tornando-se mais simples e mais puro.



Ninguém te viu o sentimento inquieto,

Magoado, oculto e aterrador, secreto,

Que o coração te apunhalou no mundo.



Mas eu, que sempre te segui os passos,

Sei que cruz infernal prendeu-te os braços

E o teu suspiro como foi profundo!



Cruz e Souza (1861 – 1898)


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