terça-feira, 11 de novembro de 2008

DEU NO CRUZ CREDO NEWS!!

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Racha

Encostou do meu lado no sinaleiro. Magnata num Pontiac zerinho, azul metálico, brilhante, motorzaço, sonzão, pneu de corrida. O cara ficou me olhando de rabo de olho por uma brecha na janela aberta, por trás dos óculos escuros e do isofilm do carrão. Gravão trepidando na cabine, rizinho besta e acelerando. Babaca! Acelerei também. Tá me tirando, marajá? Meu Opalão amarelo 76, paixão de minha vida, tunado até o porta-luvas, quatro e cem, 250-s, homologado para a antiga divisão 1 da Federação Brasileira de Automobilismo, mexido pra correr assustadoramente, cabeçote rebaixado e injeção de nitro, não leva desaforo pra casa. Sinal vermelho. Rapidez ele vai ver quando o sinal abrir. Aumento o som, chapa quente xará. Sou campeão de racha. Sou o mais veloz e não tem playboy na vila pra me tirar de otário, tá entendendo? Vermelho ainda. Acelero e faço urrar o Chevrolet, assovia o turbo ativando a dupla carburação instantânea de litros e litros de metanol. O boy acelerou também, desaforo. Me dá raiva do cara. Nervoso, ranjo os dentes, escancaro as narinas. Respiro, vai abrir. Tensos todos os músculos do meu corpo, engato a primeira, engulo seco, nem pisco e acelero, junto vai meu coração. Adrenalina a mil, a dois mil e quinhentos, cinco, seis mil giros. VERDE. Tiro o pé da embreagem, e aciono o nitro. O playboy saiu na minha frente. Miro na porta do passageiro e não freio. Saio fedendo. Desgovernado, o boy abraça o poste com seu ex-Pontiac.

Meu Opalão é raridade, brother. It’s a killing machine, oh Yeah!


Por: Nelson Emerson.

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